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Questões de Vestibular: Sintaxe

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Texto associado.
COM O OUTRO NO CORPO, O ESPELHO PARTIDO


O que acontece com o sentimento de identidade de uma pessoa que se depara, diante do
espelho, com um rosto que não é seu? Como é possível manter a convicção razoavelmente estável
que nos acompanha pela vida, a respeito do nosso ser, no caso de sofrermos uma alteração radical
em nossa imagem? Perguntas como essas provocaram intenso debate a respeito da ética médica
5 depois do transplante de parte da face em uma mulher que teve o rosto desfigurado por seu
cachorro em Amiens, na França.
Nosso sentimento de permanência e unidade se estabelece diante do espelho, a despeito de
todas as mudanças que o corpo sofre ao longo da vida. A criança humana, em um determinado
estágio de maturação, identifica-se com sua imagem no espelho. Nesse caso, um transplante
10 (ainda que parcial) que altera tanto os traços fenotípicos quanto as marcas da história de vida
inscritas na face destruiria para sempre o sentimento de identidade do transplantado? Talvez não.
Ocorre que o poder do espelho – esse de vidro e aço pendurado na parede – não é tão absoluto:
o espelho que importa, para o humano, é o olhar de um outro humano. A cultura contemporânea
do narcisismo*, ao remeter as pessoas a buscar continuamente o testemunho do espelho, não
15 considera que o espelho do humano é, antes de mais nada, o olhar do semelhante.
É o reconhecimento do outro que nos confirma que existimos e que somos (mais ou menos) os
mesmos ao longo da vida, na medida em que as pessoas próximas continuam a nos devolver nossa
“identidade”. O rosto é a sede do olhar que reconhece e que também busca reconhecimento. É
que o rosto não se reduz à dimensão da imagem: ele é a própria presentificação de um ser humano,
20 em sua singularidade irrecusável. Além disso, dentre todas as partes do corpo, o rosto é a que faz
apelo ao outro. A parte que se comunica, expressa amor ou ódio e, sobretudo, demanda amor.
A literatura pode nos ajudar a amenizar o drama da paciente francesa. O personagem Robinson
Crusoé do livro Sexta-feira ou os limbos do Pacífico, de Michel Tournier, perde a noção de sua
identidade e enlouquece, na falta do olhar de um semelhante que lhe confirme que ele é um
25 ser humano. No início do romance, o náufrago solitário tenta fazer da natureza seu espelho. Faz
do estranho, familiar, trabalhando para “civilizar” a ilha e representando diante de si mesmo o
papel de senhor sem escravos, mestre sem discípulos. Mas depois de algum tempo o isolamento
degrada sua humanidade.
A paciente francesa, que agradeceu aos médicos a recomposição de uma face humana, ainda que
30 não seja a “sua”, vai agora depender de um esforço de tolerância e generosidade por parte dos
que lhe são próximos. Parentes e amigos terão de superar o desconforto de olhar para ela e não
encontrar a mesma de antes. Diante de um rosto outro, deverão ainda assim confirmar que ela
continua sendo ela. E amar a mulher estranha a si mesma que renasceu daquela operação.
MARIA RITA KEHL
Adaptado de folha.uol.com.br, 11/12/2005.
*narcisismo ? amor do indivíduo por sua própria imagem
o espelho do humano é, antes de mais nada, o olhar do semelhante. (l. 15) No trecho, a expressão sublinhada enfatiza uma ideia, tal como se observa em:
Texto associado.
TEXTO
01. – Para mim esta é a melhor hora do dia –
02. Ema disse, voltando do quarto dos meninos. –
03. Com as crianças na cama, a casa fica tão
04. sossegada.
05. – Só que já é noite – a amiga corrigiu, sem
06. tirar os olhos da revista. Ema agachou-se para
07. recolher o quebra-cabeça esparramado pelo
08. chão.
09. – É força de expressão, sua boba. O dia
10. acaba quando eu vou dormir, isto é, o dia tem
11. vinte quatro horas e a semana tem sete dias,
12. não está certo? – Descobriu um sapato sob a
13. poltrona. Pegou-o e, quase deitada no tapete,
14. procurou, depois, o par ........ dos outros
15. móveis.
16. Era bom ter uma amiga experiente. Nem
17. precisa ser da mesma idade – deixou-se cair
18. no sofá – Bárbara, muito mais sábia.
19. Examinou-a a ler: uma linha de luz dourada
20. valorizava o perfil privilegiado. As duas eram
21. tão inseparáveis quanto seus maridos, colegas
22. de escritório. Até ter filhos juntas
23. conseguiram, acreditasse quem quisesse. Tão
24. gostoso, ambas no hospital. A semelhança
25. física teria contribuído para o perfeito
26. entendimento? “Imaginava que fossem
27. irmãs”, muitos diziam, o que sempre causava
28. satisfação.
29. – O que está se passando nessa cabecinha?
30. – Bárbara estranhou a amiga, só doente
31. pararia quieta. Admirou-a: os cabelos soltos,
32. caídos no rosto, escondiam os olhos ...........,
33. azuis ou verdes, conforme o reflexo da roupa.
34. De que cor estariam hoje seus olhos?
35. Ema aprumou o corpo.
36. – Pensava que se nós morássemos numa
37. casa grande, vocês e nós...
38. Bárbara sorriu. Também ela uma vez tivera
39. a ideia. – As crianças brigariam o tempo todo.
40. Novamente a amiga tinha razão. Os filhos
41. não se suportavam, discutiam por qualquer
42. motivo, ciúme doentio de tudo. O que
43. sombreava o relacionamento dos casais.
44. – Pelo menos podíamos morar mais perto,
45. então.
46. Se o marido estivesse em casa, seria
47. obrigada a assistir à televisão, ........, ele mal
48. chegava, ia ligando o aparelho, ainda que
49. soubesse que ela detestava sentar que nem
50. múmia diante do aparelho – levantou-se,
51. repelindo a lembrança. Preparou uma jarra de
52. limonada. ........ todo aquele interesse de
53. Bárbara na revista? Reformulou a pergunta
54. em voz alta.
55. – Nada em especial. Uma pesquisa sobre o
56. comportamento das crianças na escola, de
57. como se modificam as personalidades longe
58. dos pais.
Adaptado de: VAN STEEN, Edla. Intimidade.
In: MORICONI, Italo (org.) Os cem melhores
contos brasileiros do século. 1. ed. Rio de
Janeiro: Objetiva, 2009. p. 440-441.
Em várias passagens do texto, a autora usa sujeitos elípticos. Assinale a alternativa que apresenta uma oração com sujeito elíptico.
Texto 1
Triste fim de Policarpo Quaresma
Lima Barreto

Como lhe parecia ilógico com ele mesmo estar 
ali metido naquele estreito calabouço. Pois ele,
o Quaresma plácido, o Quaresma de tão profundos
pensamentos patrióticos, merecia aquele triste fim?
5 De que maneira sorrateira o Destino o arrastara até
ali, sem que ele pudesse pressentir o seu extravagante 
propósito, tão aparentemente sem relação com o
resto da sua vida? (...)
Devia ser por isso que estava ali naquela
10 masmorra, engaiolado, trancafiado, isolado dos seus
semelhantes como uma fera, como um criminoso, sepultado 
na treva, sofrendo umidade, misturado com
os seus detritos, quase sem comer... Como acabarei?
Como acabarei? E a pergunta lhe vinha, no meio da
15 revoada de pensamentos que aquela angústia provocava 
pensar. Não havia base para qualquer hipótese.
Era de conduta tão irregular e incerta o Governo que
tudo ele podia esperar: a liberdade ou a morte, mais
esta que aquela. (...)
20 Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe
absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. 
Que lhe importavam os rios? Eram grandes?
Pois que fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade 
saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada...
25 O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não.
Lembrou-se das suas cousas de tupi, do folclore, das
suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua
alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma! (...)
A Pátria que quisera ter era um mito; era um
30 fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete.
Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a
política, que julgava existir, havia. A que existia, de
fato, era a do Tenente Antonino, a do Doutor Campos,
a do homem do Itamarati.
Excerto. BARRETO, Lima. Triste fm de Policarpo Quaresma. In:
http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/policarpoE.pdf p. 383-387
  

Em “Era de conduta tão irregular e incerta o Governo que tudo ele podia esperar: a liberdade ou a morte, mais esta que aquela. (...)” (linhas 17-19), o par correlativo “ tão... que” expressa a ideia de

Texto associado.
O senso comum é que só os seres humanos são capazes de rir. Isso não é verdade?
Não. O riso básico – o da brincadeira, da diversão, da expressão física do riso, do movimento da face e da vocalização — nós compartilhamos com diversos animais. Em ratos, já foram observadas vocalizações ultrassônicas – que nós não somos capazes de perceber – e que eles emitem quando estão brincando de “rolar no chão”. Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local específico no cérebro, o rato deixa de fazer essa vocalização e a brincadeira vira briga séria. Sem o riso, o outro pensa que está sendo atacado. O que nos diferencia dos animais é que não temos apenas esse mecanismo básico. Temos um outro mais evoluído. Os animais têm o senso de brincadeira, como nós, mas não têm senso de humor. O córtex, a parte superficial do cérebro deles, não é tão evoluído como o nosso. Temos mecanismos corticais que nos permitem, por exemplo, interpretar uma piada.
Disponível em http://globonews.globo.com. Acesso em 31 maio 2012 (adaptado)
A coesão textual é responsável por estabelecer relações entre as partes do texto. Analisando o trecho “Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local específico no cérebro”, verifica-se que ele estabelece com a oração seguinte uma relação de
Texto associado.
TEXTO
1 O castelo, a igreja e a cidade foram cenários de teatro.
É sintomático que a Idade Média tenha ignorado um lugar
próprio para o teatro. Os palcos e as encenações eram
4 improvisados onde houvesse um centro de vida social. Na
igreja, as cerimônias religiosas eram festas, e do drama
litúrgico é que saiu o teatro. No castelo, os banquetes, torneios,
7 espetáculos de trovadores, jograis, dançarinos e domadores de
ursos se sucediam. Nas cidades, teatros mambembes
ergueram-se nas praças. Todas as classes sociais faziam das
10 festas familiares cerimônias ruinosas: os casamentos deixavam
os camponeses empobrecidos por anos e os senhores, por
meses. Os jogos exerciam uma sedução singular sobre a
13 sociedade. Escrava da natureza, ela entregava-se ao acaso: os
dados rolavam em todas as mesas. Prisioneira de estruturas
sociais rígidas, ela transformou a própria estrutura social em
16 um jogo.
Jacques Le Goff. A civilização do ocidente medieval.
Bauru: EDUSC, 2005, p. 362 (com adaptações).
No que se refere ao trecho de texto apresentado e aos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item seguinte.
O emprego do feminino em “Escrava” (R.13), “ela” (R. 13 e 15) e “Prisioneira” (R.14) deve-se ao fato de esses termos fazerem referência à sedução que os jogos exerciam sobre a sociedade.
TEXTO I
Plebiscito
Arthur Azevedo 

A cena passa-se em 1890.
A família está toda reunida na sala de jantar.
O senhor Rodrigues palita os dentes, repimpado
numa cadeira de balanço. Acabou de comer como um
5 abade.
Dona Bernardina, sua esposa, está muito
entretida a limpar a gaiola de um canário belga.
Os pequenos são dois, um menino e uma
menina. Ela distrai-se a olhar para o canário. Ele,
10 encostado à mesa, os pés cruzados, lê com muita
atenção uma das nossas folhas diárias.
Silêncio.
De repente, o menino levanta a cabeça e
pergunta:
15 — Papai, que é plebiscito?
O senhor Rodrigues fecha os olhos
imediatamente para fingir que dorme.
O pequeno insiste:
— Papai?
20 Pausa:
— Papai?
Dona Bernardina intervém:
— Ó seu Rodrigues, Manduca está lhe
chamando. Não durma depois do jantar, que lhe faz mal.
25 O senhor Rodrigues não tem remédio senão abrir
os olhos.
(...)

Trecho. AZEVEDO, Arthur. Plebiscito. In: “Contos fora da moda”, Editorial Alhambra – Rio de Janeiro, 1982, pág. 29. Disponível em: http://www.releituras.com/aazevedo_menu.asp. Acesso: em 03 out. 2016.  
O termo que substituiria, sem alterar o sentido, o elemento sublinhado em “O senhor Rodrigues não tem remédio senão abrir os olhos” (linhas 25-26) é
Além disso, a publicização da intimidade não significa necessariamente autopromoção do eu. Ela pode ativar uma dimensão importante da comunicação humana. (l. 25-26)
O valor da frase sublinhada, em relação àquela que a antecede, pode ser caracterizado como:
Texto 2
O que Lima Barreto pode ensinar ao Brasil de hoje
Denilson Botelho

Lima Barreto (1881-1922) viveu numa época
de transições. No seu aniversário de sete anos, viu
a abolição ser festejada em praça pública na companhia 
do pai, registrando as lembranças do episódio 
5 em seu Diário íntimo. No ano seguinte, em 1889,
viu a monarquia dar lugar à república. E passou a
juventude e o resto de sua curta existência – faleceu
aos 41 anos – enfrentando os desafios de ser negro
num país que aboliu a escravidão, mas não fez com
10 que a liberdade viesse acompanhada dos direitos de
cidadania pelos quais temos lutado desde então. Da
mesma forma, vivenciou também os desafios de uma
república que se fez excludente, frustrando a expectativa 
por um regime democrático.
15 Mas por que devemos ler Lima Barreto hoje?
São vários os motivos, mas um deles revela-se da
maior importância. Nos últimos anos, os grandes
grupos empresariais de mídia têm contribuído
  
decisivamente para demonizar a política. A pregação
20 de um discurso anticorrupção tem se revestido de um
moralismo sem precedentes e, ao mesmo tempo, esterilizante. 
Muitos são aqueles que têm sido levados
a recusar o debate político sob o argumento tolo, 
generalizante e perigoso que sugere que todo político
25 é ladrão e corrupto. A estratégia abre espaço para
a figura enganosa do “gestor”, que, fingindo renegar
a política, governa para contemplar os interesses de
poucos em detrimento da maioria.
O fato é que encontramos em Lima Barreto
30 um vigoroso antídoto para lidar com essa situação,
pois estamos diante de um escritor que fez da literatura 
a arte do engajamento. Escrever era para ele
uma forma efetiva de participar dos acontecimentos.
Os mais de 500 artigos e crônicas que publicou em
35 dezenas de jornais e revistas do Rio de Janeiro – assim 
como seus romances e contos – não deixavam
escapar nenhum tema importante em discussão na
época. Lima não se esquivava do debate e muito menos 
de opinar e apresentar enfaticamente os seus
40 pontos de vista, geralmente urdidos com base nas
leituras que fazia quase obsessivamente. Em síntese, 
escrever era fazer política, era participar da vida
política do país e isso resultou numa literatura militante, 
que nos leva a perceber a centralidade da política
45 em nossas vidas.
Fragmento: http://www.cartaeducacao.com.br/artigo/o-que-lima-
-barreto-pode-ensinar-ao-brasil-de-hoje/ Acesso em 21 ago 2017.
  

Em “Da mesma forma, vivenciou também os desafios de uma república que se fez excludente...” (linhas 11-13), a oração em destaque tem a mesma função sintática que a sublinhada em: 

TEXTO 6
Piaimã
A inteligência do herói estava muito perturbada. Acordou com os berros da bicharia lá em baixo nas ruas, disparando entre as malocas temíveis. E aquele diacho de sagui-açu (...) não era saguim não, chamava elevador e era uma máquina. De-manhãzinha ensinaram que todos aqueles piados berros cuquiadas sopros roncos esturros não eram nada disso não, eram mas cláxons campainhas apitos buzinas e tudo era máquina. As onças pardas não eram onças pardas, se chamavam fordes hupmobiles chevrolés dodges mármons e eram máquinas.
O herói aprendendo calado. De vez em quando estremecia. Voltava a ficar imóvel escutando assuntando maquinando numa cisma assombrada. Tomou-o um respeito cheio de inveja por essa deusa de deveras forçuda, Tupã famanado que os filhos da mandioca chamavam de Máquina, mais cantadeira que a Mãe-d’água, em bulhas de sarapantar. Então resolveu ir brincar com a Máquina pra ser também imperador dos filhos da mandioca. Mas as três cunhãs deram muitas risadas e falaram que isso de deuses 
era gorda mentira antiga, que não tinha deus não e que com a máquina ninguém não brinca porque ela mata. A máquina não era deus não, nem possuía os distintivos femininos de que o herói gostava tanto. Era feita pelos homens. Se mexia com eletricidade com fogo com água com vento com fumo, os homens aproveitando as forças da natureza. Porém jacaré acreditou? nem o herói! 
[... ]
Estava nostálgico assim. Até que uma noite, suspenso no terraço dum arranhacéu com os manos, Macunaíma concluiu: — Os filhos da mandioca não ganham da máquina nem ela ganha deles nesta luta. Há empate.
ANDRADE, Mário. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Belo Horizonte: Itatiaia, 1986. p. 110.

No que se refere às relações sintáticas utilizadas na construção do trecho transcrito de Macunaíma, no TEXTO 6, analise as afirmativas a seguir.
I. Em “A inteligência do herói estava muito perturbada”, na primeira linha do texto, “muito perturbada”, funciona como predicativo do sujeito.
II. Em “Tomou-o um respeito cheio de inveja”, “um respeito cheio de inveja” funciona como objeto direto da forma verbal “tomou”.
III.No trecho “Tomou-o um respeito cheio de inveja”, o pronome oblíquo em “Tomou-o” é um elemento catafórico que se remete à expressão “o herói”, no início do segundo parágrafo.
IV.No período “Voltava a ficar imóvel escutando assuntando maquinando numa cisma assombrada”, a expressão “numa cisma assombrada”, sintaticamente, funciona como adjunto adverbial.
V. Em “A máquina não era deus não, nem possuía os distintivos femininos de que o herói gostava tanto”, a forma verbal gostava possui dois objetos indiretos, respectivamente, “deus” e “distintivos femininos”.

Estão CORRETAS apenas as proposições
Texto associado.
01. – Temos sorte de viver no Brasil – dizia
02. meu pai, depois da guerra. – Na Europa
03. mataram milhões de judeus.
04. Contava as experiências que os médicos
05. nazistas faziam com os prisioneiros.
06.  Decepavam-lhes as cabeças, faziam-nas
07. encolher – à maneira, li depois, dos índios
08. Jivaros. Amputavam pernas e braços.
09. Realizavam estranhos transplantes: uniam a
10. metade superior de um homem ........ metade
11. inferior de uma mulher, ou aos quartos
12. traseiros de um bode. Felizmente morriam
13. essas atrozes quimeras; expiravam como
14. seres humanos, não eram obrigadas a viver
15. como aberrações. (........ essa altura eu tinha
16. os olhos cheios de lágrimas. Meu pai pensava
17. que a descrição das maldades nazistas me
18. deixava comovido.)
19. Em 1948 foi proclamado o Estado de
20. Israel. Meu pai abriu uma garrafa de vinho –
21. o melhor vinho do armazém –, brindamos ao
22. acontecimento. E não saíamos de perto do
23. rádio, acompanhando ........ notícias da guerra
24. no Oriente Médio. Meu pai estava
25. entusiasmado com o novo Estado: em Israel,
26. explicava, vivem judeus de todo o mundo,
27. judeus brancos da Europa, judeus pretos da
28. África, judeus da Índia, isto sem falar nos
29. beduínos com seus camelos: tipos muito
30 esquisitos, Guedali.
31. Tipos esquisitos – aquilo me dava ideias.
32. Por que não ir para Israel? Num país de
33. gente tão estranha – e, ainda por cima, em
34. guerra – eu certamente não chamaria a
35. atenção. Ainda menos como combatente,
36. entre a poeira e a fumaça dos incêndios. Eu
37. me via correndo pelas ruelas de uma aldeia,
38. empunhando um revólver trinta e oito,
39. atirando sem cessar; eu me via caindo,
40. varado de balas. Aquela, sim, era a morte que
41. eu almejava, morte heroica, esplêndida
42. justificativa para uma vida miserável, de
43. monstro encurralado. E, caso não morresse,
44. poderia viver depois num kibutz . Eu, que
45. conhecia tão bem a vida numa fazenda, teria
46. muito a fazer ali. Trabalhador dedicado, os
47. membros do kibutz terminariam por me
48. aceitar; numa nova sociedade há lugar para
49. todos, mesmo os de patas de cavalo.
                   Adaptado de: SCLIAR, M. O centauro no jardim . 9.
                                                           ed. Porto Alegre: L&PM, 2001.

Se a forma verbal almejava fosse substituída por aspirava em Aquela, sim, era a morte que eu almejava
(l. 40-41), qual das alternativas abaixo estaria gramaticalmente correta?